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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Relato do meu Parto - Chegou a hora

Não dormi. Dormir para que se em pouquíssimas horas o Gabriel estaria nos meus braços?
4hs da manhã levanto da cama e vou para o banho. Maquiagem, cabelos arrumados, roupa escolhida, tudo pronto para encontrar meu lindo.
6hs papai, vovó e eu rumamos para o hospital.
Despedidas rápidas e vou para a sala de pré-parto.
Nada de dilatação (tristeza).
O médico faz o exame e declara: "já para a cesária, já tem mecônio no líquido".
5 minutos depois a enfermeira entra, coloca o soro, a sonda. Olho para o relógio: 7:03
Chamo a enfermeira que irá participar do meu parto e peço que ela me explique passo-a-passo como será o parto.
Me tiram da sala e levam para a sala de parto. Na passada vejo o pai do Gabi sentadinho esperando a vez dele entrar e ouço a voz da minha mãe.
O anestesista chega, um amor ele, me explica cada coisa que irá fazer, como devo me sentir, e me monitora constantemente. Me sinto super segura com ele.
Recebo a anestesia Raquidiana, não sinto minhas pernas, e barriga. Sensação horrível de impotência, tento me mexer, nada. Balanço meu peito, mexo os braços e faço muita força para mexer as pernar... sem resultado.
Rafael chega na sala de parto, fica ao meu lado enquanto o Dr Derli Fofonka coloca a cortina na minha frente, agora não vejo mais nada.
Peço para o Rafael me narrar o que está acontecendo. Não sinto nada, apenas um formigamento no local que estão mexendo.
7:50 o Rafael me conta que o médico já cortou e está tentando tirar o Gabi.

Dr Derli pede ajuda ao anestesista para empurar minha barriga, está difícil pegar ele.
7:55 sinto um puxão na barriga ao mesmo tempo que escuto o choro do Gabriel.
Logo o médico passa com ele para eu ver aquele bebezão, cabeludo e chorão.
Choro, choro, choro.
Rafael e Gabriel vão para outra sala enquanto sou costurada.
Conversas sobre como ele era grande, como ele era cabeludo, como estava difícil de tirar ele daqui.
O anestesista sempre conversando comigo e me entertendo até que sinto algo no meu peito, era o Gabi que estava todo enroladinho no meu peito.
Nasceu loiro, cabeludão e bem gordo, quase 4 quilos e 52 cm.

Primeira coisa que falo: bem -vindo meu amor, eu sou tua mãe e estava louca para te ver.
Logo levaram ele e fui para a sala de recuperação.
Uma longo hora sozinha esperando levarem o Gabriel para mim.
9hs papai e bebê chegam para ficar comigo. Logo ele vai para o peito, mas só cheira, nada de mamar.
Lá ficamos até as 14hs quando nos levaram para o quarto.

Nasceu meu amor!!! Nasceu uma mãe.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Relato do meu parto - As últimas horas doem....

Dizem que nascer dói.
Dizem que ao nascer um bebê nasce também uma mãe.
Todo o processo de nascimento além de estressante é também dolorido. Tanto para o bebê como para a mãe.
Confesso que esse processo do meu nascimento como mãe está bem dolorido sim.
São dores em lugares que nem imaginava existir, as costas doem, a bunda dói, a barriga parece que vai arrebentar de tão pesada e que a qualquer momento o útero irá estourar. Dói para levantar, dói para dormir, dói para caminhar, para sentar, para rir, dói para chorar.
Essa é a parte física, mas e a psicológica?
Esse nascimento materno dói viu.
Dói de medo, dói de susto, de ansiedade. Dói de tantos "e se", de "serás" e de "mas". Dói de passividade pelo desconhecido e de ativo pelo futuro.
Dói no peito e dói na mente.
Dizem que o homem só entende a paternidade quando o bebê nasce. Eu sou o homem na maternidade. A ficha está caindo, e não está sendo curto esse caminho. Agora é que estou entendendo que a partir de amanhã não tem mais volta: EU SEREI MÃE!!!
Até agora ser mãe era subjetivo e inanimado, por mais chutes e remelexos que sinto, sou mãe da minha barriga, que levo para todos os lugares, que sei que está bem alimentado, bem cuidado e protegido, tendo tudo que precisas aqui dentro. Meu filho é minha barriga.
Amanhã, ou melhor, dentro de poucas horas serei mãe do Gabriel, um serzinho com vontades, necessidades e personalidade, próprios e intransferíveis.
Dói essa ansiedade de estar na maternidade, de fazer toda a preparação, de olhar o relógio, de poder escutar o choro da vida.
Dói o desconhecido. Dói as dúvidas. Como ele será, como serei, como nós seremos. O que vamos fazer, como dar garantias, dar segurança, dar amor. Será que tudo isso é suficiente? Será que vai bastar? E se eu não for boa mãe? E se eu não conseguir fazer ele feliz? E se eu enlouquecer? Mas ele vai dormir? Mas eu vou conseguir amamentar? Mas como será daqui para frente?E se eu quiser colo? Quem vai me dar consolar? Quem vai me amparar? Eu ainda tenho esse direito?
Porque no momento que nos tornamos mãe/pai perdemos o direito a fraquejar, a ter medo, a ter dúvidas.

Quando fui me dar conta disso? Apenas hoje quando vi que faltavam poucas horas para o Gabriel estar em meus braços. Agora a ficha está caíndo. Agora estou entendendo que serei mãe. Agora está doendo. Doendo de medo, de ansiedade, de dúvidas. Loucura, insanidade.
Ninguém me avisou que seria assim, ninguém me disse como dói esse parto que não tem anestesia, ou respiração, ou meditação que alivie.
Ninguém me disse que dormir filha e acordar mãe fosse tão difícil e dolorido.
Ainda bem que tudo isso acaba quando o momento mais importante e sublime da minha vida acontecer: quando o Gabriel sair da minha barriga e eu puder escutar o choro dele tenho certeza que meu nascimento será completo, rápido e indolor.

Vou agora para meu nascimento. Entro como filha para nascer mãe.